Pedacinho da História


Criados inicialmente como cobrança de tarifa postal, os selos ganharam status de documento histórico e se tornaram objeto de cobiça de colecionadores aficionados

Para conhecer a história, basta abrir os livros. Ou, em tempos de internet, navegar na Wikipédia. Está tudo lá. Nomes, datas, guerras... Mas há também um jeito bem diferente de aprender e compreender melhor o que aconteceu de mais importante a partir da segunda metade do século XIX. Para isso não é preciso um livro ou o clique de um mouse. Os selos, sempre presentes nas correspondências do dia a dia, são uma importante fonte de dados históricos.  Desde sua invenção em 1840 – obra do britânico sir Rowland Hill –, até os dias de hoje, esses pequenos pedaços de papel carregam fragmentos da história. E não é preciso ser um filatelista – colecionador de selos – para aprender dessa maneira.

A criação do selo em si é fruto de um grande acontecimento histórico. Em 1836, a Inglaterra passava por uma profunda mudança econômica e social em razão da Revolução Industrial. O campo foi trocado pela cidade. Era uma época de mudanças. Nesse mesmo ano, Rowland Hill passava férias no interior da Irlanda e uma cena comum mudaria para sempre a nossa história. Ao sair da modesta hospedaria, viu a jovem arrumadeira do local recebendo uma correspondência das mãos de um carteiro. A moça manuseou por um breve tempo a carta, mas se recusou a recebê-la e a devolveu, já que naqueles tempos quem pagava pelo porte era o destinatário, e não o remetente. O carteiro colocou o envelope na sacola destinada às cartas para incineração e foi embora. Hill não conteve a curiosidade. Perguntou à jovem por que ela não havia aceitado a carta e teve uma resposta surpreendente. A mensagem era do noivo, que estava em Londres, mas eles tinham um código cifrado combinado. Ou seja: ela sabia do que se tratava sem ter de pagar pela carta – àquela época, o preço de uma carta básica era 1 shilling (a sexta parte de uma libra esterlina), considerado salgado para a classe trabalhadora. Acendeu-se uma lâmpada na cabeça de Hill.

Aproveitando o período de tranformações, ele encaminhou à Coroa, em 13 de fevereiro de 1837, uma proposta de reforma do sistema postal britânico – nesse mesmo ano, assumiria o trono inglês a rainha Vitória (que ficou no poder até 1901), responsável pelo período no qual a Inglaterra seria a maior potência do planeta. Os correios perdiam muito dinheiro com as cartas não recebidas, e os carteiros gastavam tempo precioso quando elas eram gentilmente recusadas. Estava inventado então o selo postal. “Um pedaço de papel largo o suficiente para receber uma estampa, coberto com goma na parte de trás, que o portador pode colar na parte posterior da carta utilizando um pouco de umidade”, foram as palavras de Hill em sua proposta de reforma, que só seria aprovada em 1839. No ano seguinte, no dia 6 de maio, começaram a circular os dois primeiros selos do mundo, o Penny Black e o Two Pence Blue, que traziam a efígie da rainha Vitória aos 15 anos. Até hoje, os selos do Reino Unido, obrigatoriamente, trazem a efígie de seu monarca.

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